Decidi retomar este blog por causa de uma questão que está me incomodando. Ou melhor, preocupando. E muito.
É o Sínodo da Amazônia. Não pelo Sínodo em si, já que nào compete a mim. Mas a reação de algumas pessoas.
Recentemente recebi um vídeo do Whatsapp em que bispos dizem que não precisam obedecer à "agenda eco-esquerdista" do Papa, fora outras manifestações nesse sentido, de que o Papa não tem que se meter em política, e tal. Bom, até aí tudo bem, já que sempre houve cristãos que acharam que a Igreja tem que se preocupar com o espiritual e deixar o material de lado (como se uma pessoa com fome consegui rezar e como se as periferias não estivessem cheias de igrejas evangélicas que vão justamente aí.) O que está me preocupando é que quem está se rebelando contra o Papa são bispos.
Até onde eu sei, o Papa é o sinal de unidade da nossa igreja. Então quem não está em união com o Papa está contra a Igreja Católica, não está seguindo esta unidade. Se eu estiver errado, me corrijam nos comentários, por favor. Me preocupa que num mundo cada vez mais longe de Deus e numa crise de valores alguns prelados queiram se rebelar contra o Papa assim. Assim, também acreditamos que em questões de fé o Papa é infalível e inspirado pelo Espírito Santo. Dessa maneira, ao contradizer nosso Pontífice das duas uma: ou você questiona a Inspiração Divina do Sumo Pontífice e aí, você em última instância está pondo em xeque toda a doutrina (já que, se o Papa está errado nestes pontos, o que impede que ele esteja errado em outros, assim como todos os outros papas que já tivemos, o que diz que a nossa doutrina é puramente humana e não divina) ou os bispos em questão estejam se rebelando contra o Espírito Santo, desobedecendo deliberadamente a Nosso Senhor Jesus Cristo, o que os faz incorrer em pecado mortal, o que os torna indigno do cargo que ocupam, agindo exatamente como os fariseus da época de Jesus (ou é do meu jeito ou não vem de Deus.)
Alguém pode me dizer que as coisas não são tão simples assim.
Mas uma das coisas que diferencia a Igreja Católica das demais instituições, singularmente da política partidária é justamente esta firmeza e clareza nas suas organizações. Nós cidadãos comuns, principalmente nós brasileiros, estamos cansados dessa flexibilização espúria de valores em que uma regra só vale enquanto for conveniente para meus interesses e que as leis e normas só valem para justificar atitudes do meu interesse.
Se a Igreja Católica começar a ser lodaçal de conveniências ela não vai ser nada diferente de qualquer outra organização política da terra, como por exemplo o Congresso Nacional brasileiro que a cada dia envergonha mais o nosso brasileiro batendo recordes impressionantes de sujeira e degradação moral, nos mostrando que quando achamos que ele não pode descer mais em desrespeito à própria dignidade, nos mostra que ainda é pior, e ela vai deixar de ser o farol de luz que deve ser para o nosso mundo, perdendo assim a sua razão de ser.
E a esses defensores dos valores cristãos (que valores? Violência, intolerância, preconceito, corrupção... não consigo enxergar nada mais distante do Evangelho do que isso) parecem seguir a cartilha do discurso de ódio que NUNCA na história da humanidade acabou bem e mais uma vez eu digo que é o contrário do que Jesus pregava. Quando os discípulos vieram contar a Jesus que tinha um homem pregando e que o haviam proibido porque não andava com eles, o que Jesus respondeu? Incitou os discípulos a continuarem com esse discurso de intolerância? Foi agredir e amaldiçoar o sujeito? NÃO! Repreendeu os discípulos, pois disse que quem não estava contra, estava a favor. Aceitou o outro. Quando eu vejo essas atitudes extremistas e segregadores não consigo ver o que Jesus pregava, não consigo imaginar Jesus agindo assim. Vejo outras pessoas, os fariseus. Eles é que criavam leis e que quem não pensasse como eles estava fora e deveria ser silenciado, afastado, destruído!
Qual a diferença entre o Papa e eles? Porque o Papa pode dizer o que é certo e eles não? Porque a função do Papa é justamente essa: apontar o que é certo. Não acredito que a Igreja possa ser um pequeno amontoado de feudos em que o bispo pode decidir como pensar e não dar satisfações a ninguém.
E quanto às decisões polêmicas que o Papa estaria tomando, como por exemplo a ordenação de homens casados, escrevo o que estava discutindo com um sobrinho no final de semana antes do início do Sínodo: o que é melhor, manter o que eu acho que deve ser a igreja ou salvar o maior número de almas possível? Será que eu devo prefiro sacrificar as almas de pessoas para manter uma regra que é tradição da Igreja, mas que talvez não funcione mais. Será que estas pessoas preferem que a Igreja se torne uma grupo de meia dúzia de pessoas que segue regras antigas a crescer e rever alguns conceitos.
Eu li o documento preparatório, e ele foi bem específico... homens idosos e para aquele contexto pastoral específico. Afinal, há lugares em que os fiéis só podem receber a comunhão duas vezes por ano (segundo uma reportagem que eu li numa revista Família Cristã e que infelizmente não me recordo a edição). Quer dizer, essas pessoas pensam então, Puxa que triste a situação deles, mas eu tenho que deixar que a alma deles se perca do que abrir mão de uma regra que eu considero importante. Será que é isso o que Jesus faria? Ou será que seriam outros que pensam assim? Ou melhor, outro.
Deixando bem claro... não sou destes católicos moderninhos demais, que acham que o celibato e outros valore são ultrapassados e que devem cair (me considero até conservador em alguns pontos). Mas também acredito que o "Espírito sopra onde quer (Jo 4) e que devemos ser abertos à sua inspiração); e que talvez seja o Espírito nos mostrando caminhos novos.
Como saber o que vem do Espírito e o que vem do maligno? Volto ao começo: creio firmemente que o Papa é movido pelo Espírito Santo e que estando com ele eu estou com o Espírito.
Por isso, eu lembro de uma reflexão que eu fiz quando um irmão ministro externou preocupações com os rumos que a Igreja estaria tomando com o Sínodo. Mais do que rezar para o que o Espírito Santo ilumine o Sínodo e seus participantes, devemos rezar a Ele pedindo o Dom da obediência a Ti, ó Cristo.
Por último deixo um apelo a estes bispos:
Num mundo em que parece que todos estão contra a Igreja Católica e o seu Cristo, será que é o momento certo para incentivarmos rebeliões contra o Papa e criarmos divisões na Igreja. Ou é hora de nos unirmos cada vez mais e deixarmos questões como estas para discussões internas. Não é hora de darmos testemunho de unidade e coesão para um mundo cada vez mais dividido e separado do Corpo de Cristo. Será que realmente estas pessoas querem o Bem da Igreja? O que é melhor? Incentivar a separação do Papa porque discordo de algumas questões... O que é bom para nossa Igreja.
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