quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Sobre as eleições

Pensei muito em escrever este artigo, mas tomei coragem e escrevo, já esperando retaliações, como vejo acontecer em muitos lugares onde se veiculam opiniões como a minha, mas se esta for a última postagem deste blog que assim seja...
Me incomoda o rumo que as eleições estão tomando...
Ver cristãos católicos defendendo e apoiando um sujeito que nem católico é (o que afinal não seria problema), mas que é visto como um ungido de Deus, mas que defende tudo o que a Igreja prega. Afinal Jair Bolsonaro defende abertamente o uso da violência e da pena de morte como solução para o país. Me incomoda verem católicos defendendo veementemente este cidadão, de maneira absoluta e radical, como que fechando os olhos para o fato de que em seus discursos e atitudes está indo contra o evangelho de Cristo. E ainda mais, porque a pouco tempo atrás (seis meses), passamos por uma Campanha da Fraternidade cujo tema era justamente a superação da violência, e onde o Manual dizia claramente que "a violência não se resolva atrás de mais violência"muito pelo contrário. A violência só vai gerar mais violência numa espiral que só vai acabar num grande derramamento de sangue. É claro que devemos resolver o problema da criminalidade do Brasil, mas isso não vai se resolver com repressão. Vai se resolver com educação, com o resgate de valores esquecidos e com governos que realmente olhem para o povo.
Fora o fato de que o Papa Francisco declarou à pouco tempo atrás de "pena de morte é um pecado".
E temos católicos fechando os olhos para essas declarações para combater um inimigo imaterial, um comunismo que no dizer de alguns está prestes a tomar o poder. Aliás, não foi essa mesma desculpa que os militares usaram para tomar o poder em 64?
Bom, não aceito e não concordo com a corrupção, mas ela não é produto de um partido político ou grupo. São de hábitos arraigados na cultura do povo e que infelizmente eu vi até na novena da nossa padroeira Santa Teresinha neste final de semana (mas sobre isso falo em outro post).
E aqui vai uma notícia. Ela não vai acabar com Bolsonaro, como não acabou com Temer, como se pregava a dois anos atrás com o impeachment. Talvez nem nós vejamos o fim dessa corrupção. Mas não é com um governo.
O que podemos perder é a liberdade e a democracia duramente conquistadas, ao longo desses 34 anos de redemocratização.
É engraçado dizer que caso o PT vença o Brasil vai virar uma nova Venezuela, quando é justamente Bolsonaro que declara, em seus discursos que vai atentar contra a democracia.
Aos que lerem este post até domingo, reflitam com carinho nestas palavras.
E que Deus nos abençoe para que escolhamos o caminho certo para o Brasil.
Fiquem com Deus.

domingo, 1 de julho de 2018

Julgar ou condenar?

Em primeiro lugar, gostaria de dizer que em nenhum momento estou defendendo a impunidade. Creio que todos que cometeram um crime devem ser receber a sua devida punição. No entanto, existe uma coisa que está me incomodando faz tempo. É a mania que envolve este mundo cada vez mais sem Deus de confundir justiça com condenação. É você só se sentir satisfeito se o acusado for condenado, como se julgar fosse o mesmo que condenar.
Mais uma vez pergunto: o que Jesus diz sobre isso: "não julgueis para não serem julgados" e "com a mesma medida que julgarem serão julgados. Mas nós, com a arrogância do nosso tempo, não só julgamos antecipadamente como  já condenamos os acusados muitas vezes os condenando a um ostracismo absoluto. Nos últimos anos vemos várias denúncias. A Operação Lava-Jato aqui no Brasil prendeu políticos como nunca na história do nosso maltratado país. No entanto, parece que só ficamos satisfeitos se o político preso for condenado. É claro, que para o político ser preso houve uma grande investigação. No entanto, deve haver um processo para que a condenação seja efetivada. As provas colhidas durante a investigação não devem  ser consideradas como definitivas. Até porque muitas provas vem de depoimentos, ou seja, do que as pessoas disseram. O processo legal é quem vai determinar se o que foi dito é real ou uma acusação vazia para causar impacto.
O que eu quero dizer aqui é que, nós como cristãos não devemos nos indignar caso alguém seja inocentado. É claro que a justiça brasileira de imparcial não tem nada. Mas há um princípio legal  e humano que é a presunção de inocência. Ninguém deve ser condenado só porque foi acusado. Afinal, ninguém gostaria de ser condenado sendo inocente. Devemos cuidar, principalmente como cristãos para pedir a condenação de todos os políticos. Devemos, sim, pedir a justiça, ou seja, que os acusados sejam investigados e com todas as chances de defesa terem o resultado justo e merecido.
Senão teremos muitos condenados e muitos soltos posteriormente. E no final da vida, poderemos ser julgados com um rigor muito maior do que esperamos.
Que Deus nos livre disso.

domingo, 25 de março de 2018

Sobre as críticas à CNBB.

Amigos, tenho recebido há algum tempo textos com críticas a respeito da CNBB e à Campanha da Fraternidade.
Segundo tais críticas a CNBB teria financiado com recursos da Coleta da Solidariedade organizações abortistas. E iniciou-se uma campanha para se boicotar essa coleta e até mesmo para extinguir a própria CF, pois ela estaria desvirtuando o espírito da quaresma.
Bom, eu não concordo com esta postura.
Quanto às denúncias, fico com uma opinião que recebi: a CNBB, no tempo oportuno irá se manifestar sobre tais acusações, mas como é uma organização grande e que não age por impulso isso leva um tempo.
Mas eu não concordo de maneira nenhuma com a postura de alguns grupos que acham que são mais igreja que outros. Que se arvoram o direito de criticar até o Papa. Ou que acham que não devem obediência à Conferência. Eu devo sim, e o faço pois segundo eu aprendi, Jesus confiou o comando da Igreja  a Pedro e à seus sucessores, que o dividiu com os demais apóstolos. Bom, no meu entender, e se eu estiver errado me corrijam nos comentários, o Papa é sucessor de Pedro e os bispos dos apóstolos. Desse modo, a Conferência que reúne os bispos no Brasil é a CNBB, e portanto, por definição ela responde sim, pela Igreja Católica no Brasil. Desse modo, os católicos que dizem não seguir a CNBB e se acham melhores que os bispos, não estão em espírito de unidade e, portanto, não estão agindo como verdadeiros católicos.
No mais, eu acredito que uma denúncia não é motivo para eu deixar de participar de uma iniciativa convocada pela própria Igreja. Minha obrigação, enquanto católico é que eu devo colaborar com esta coleta, se não fizer estou pecando. O que os bispos farão com a minha contribuição, é algo que deve ser acertado entre eles e o próprio Cristo que, no momento certo irá cobrar deles suas atitudes. No entanto, isso não pode ser motivo para eu não fazer a minha parte. Isso é perigoso, pois partindo desses princípios, posso achar motivos para descumprir qualquer mandamento.
Além disso, será que, por causa de uma doação errada, eu devo deixar de colaborar e querer o fim de uma iniciativa que ajuda milhões de pessoas no Brasil? E vale o mesmo para a Campanha da Fraternidade: a quaresma nos faz refletir sobre a nossa prática e através dos exercícios quaresmais, sair de nós mesmos e olhar para a necessidade do outro. E a CF é ótima para olharmos para aspectos que estão do nosso lado e muitas vezes não queremos ver.
Por fim, sobre essas críticas e essa postura desse grupo de católicos eu pergunto: será que é com esta arrogância e intolerância que Jesus agiria?
Duvido muito.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Apontamento sobre a quaresma


Amigos, vou postar um segundo texto hoje, porque creio que é o momento adequado para isso.
Hoje é quarta-feira de cinzas, início da quaresma. E creio que é hora de compartilhar algumas reflexões sobre o assunto em situações que me incomodam um pouco.
Durante a quaresma é pedido para que as pessoas façam jejum de algumas coisas, principalmente de coisas que lhe são importantes. Tal medida é para praticar o desapego e lembrarmos que deixaremos tudo ao partirmos para a próxima vida.
As pessoas são incentivadas a se privarem das mais diversas coisas: refrigerante, filmes, dança, cerveja, enfim, aquilo mais lhe agrada. Eu mesmo fiz isso várias vezes, quando sinto o Espírito Santo me indicando o que o Pai me pede para abdicar.
Em minha opinião é uma prática muito legal, pois, se bem feita atinge bem o objetivo: nos faz ver que aquilo a que dávamos tanto valor, não é indispensável para a nossa vida.
Aqui cabem algumas considerações: primeiro: deve-se renunciar a algo que lhe faria falta.
Quem me conhece sabe que eu não bebo cerveja, ou bebida alcoólica. Não faria sentido eu prometer não tomar álcool. Assim como minha esposa tomar refrigerante já que ela abomina isso.
Segundo, você não deve se privar de algo que seja necessário à sua saúde. Algumas pessoas necessitam ingerir determinados alimentos. Se privar deles seria por em risco a sua saúde, e Deus, com certeza não quer pôr em risco a nossa saúde. O jejum quaresmal é justamente para fortificar o nosso espírito, mas sem comprometer a nossa saúde.
Mas há uma coisa que me incomoda: é a pessoa fazer uma promessa e, durante a quaresma abrir "exceções" para isso. Exceções entre aspas porque são falsas.
Explico: a pessoa promete não beber cerveja, mas aí aparece uma festa que ela não esperava, ou esperava muito. Daí, alguém diz para ela, ou ela mesma diz: "mas hoje pode"; "Deus não sei mporta". Como assim?
Se você prometeu não beber durante a quaresma, você não deve beber durante a quaresma. Não tem "hoje pode ou hoje não pode". O propósito destas  promessas é justamente se fortificar contra as tentações da carne. E, no momento, em que você realmente testado, você diz que "hoje pode". Ou seja, você decide, quebrar a promessa. Ou seja, ela só vale em situações da vida em que, talvez você vá beber. Mas quando esta certeza se concretiza, você ignora o que você prometeu. Ou seja, você não fez a penitência a que você mesmo se propôs! Na realidade, você promete só não beber, enquanto não houver a oportunidade para você beber, porque se ela surgir você  se dá o direito de abrir uma exceção. Ou seja, você não promessa coisa nenhuma. Você fez uma cena que não enganou ninguém.  Nem a você mesmo. Deus não te pede para você prometer nada. Você é livre. Mas, se você promete, se disponha a cumprir. Ou você só estará demonstrando que você não tem força interior nenhuma. Isso não agrada a Deus. Deus nos quer firmes no que decidimos. Lembram do Apocalipse? Ser morno?
Ou você faz uma promessa e se dispõe a cumprir ou nem faça. Se for assim, nem fale pra ninguém.
Primeiro porque vão te tentar com este argumento, segundo que você não terá de dar mal exemplo para ninguém - principalmente para as crianças que, verão você fazer isso e ficarão achando que cristianismo é brincadeira, que as leis da Igreja e as promessas que você faz só deverão ser cumpridas se for conveniente, senão a gente finge que não é nada -, além disso você não terá o trabalho de se justificar para os que te cobrarem, de verdade ou só para tirar sarro - merecido - do quanto você não é fiel à suas promessas; e você não enganará ninguém, porque você sabia que não iria cumprir sua promessa e, Deus sabe o seu coração. Não prometa se você não está disposto a cumprir.
Uma feliz e abençoada quaresma a todos que lerem este texto. E que Deus esteja com todos vocês.

A quem interessa o voto impresso?


Faz tempo que eu não escrevo. Mais por falta de capricho que por por falta de assunto.
Mas hoje resolvi retomar para escrever sobre um assunto que faz tempo que me incomoda.
De tempos em tempos, vemos na mídia em geral começarmos uma campanha por um direito ou por uma mudança na legislação com tanta força que parece unanimidade, que é a vontade de toda a população. Parece que se você está contra essas ideias você está errado, reacionário, nazista, ou está do lado de criminosos, bandidos ou pessoas sem moral. Mas como diria Nelson Rodrigues (escritor do qual não gosto, pois não concordo com os valores que ele prega nos seus textos, mas a frase é válida). "Toda unanimidade é burra". Por que?
Nesses casos, porque não vem acompanhada de reflexão sobre estar correta ou não.
Mas como estamos numa democracia e, pelo menos na teoria todos tem direito de dizer o que pensa, lá vou eu:
Fiz esta longa introdução para entrar no assunto em questão. Uma das campanhas que está sendo posta hoje em dia é a pelo voto impresso. E EU SOU CONTRA! E vou explicar por que?
Por que isso não tem nada de democrático, muito pelo contrário. Para mim, voto impresso seria um retrocesso irremediável na nossa democracia. Explicando:
Para começar, iniciou-se essa campanha em bases e teorias no mínimo sem comprovação. Se disse, na enxurrada de críticas aos governos petistas ( e aqui não vale a pena comentá-las, senão o texto vira um livro), que os ex-presidentes Luis Inácio Lula da Silva e Dilma Roussef estariam manipulando as eleições, e que na verdade, estariam invertendo os votos ( ou seja, quando votaram, por exemplo no senador Aécio Neves, o programa computava os votos para a ex-presidente, e vice-versa). Ok, denúncia gravíssima e que seria motivo suficiente para quebrar o sigilo do voto da urna eletrônica, certo? Seria, com certeza, se fosse comprovada. E eu não ouvi falar de nenhuma investigação ou PROVA de que isso teria de fato ocorrido. Nem mesmo o depoimento de algum técnico que tenha feito esta alteração  nas urnas. (caso alguém que leia este texto tenha informação séria, de algum veículo de informação comprovado de que algo assim tenha sido ao menos, investigado, POR FAVOR, me informe, pois até agora não ouvi nada).
Dessa maneira, essa "grave denúncia" se soma aos inúmeros boatos e teorias da conspiração como tantas outras.
Não se trata de defender o governo ou partido tal, mas um fato desses é grave demais para ser levado tão à sério sem comprovação real.
Continuando, devemos nos perguntar porque esse sistema foi criado.
Quem acompanha a história do Brasil deve lembrar de tristes episódios de compra de votos, e de pessoas, na época do voto em cédula de pessoas que trocavam cédulas por outras já votadas, e outras situações. Hoje em dia, isso é mais difícil.
Um dos motivos para a urna eletrônica ter sido criada é para se preservar o sigilo do voto. Ninguém tem o direito de saber em quem você votou. Esse direito existe desde não sei quando, mas na época do voto impresso era mais difícil de ser exercido por vários motivos. Principalmente o fato de que existia um papel onde aparecia em quem você estava votando. E os políticos corruptos exigiam ver esse papel dos seus eleitores, usando para isso de estratégias como a que eu citei acima.
Hoje em dia, a compra de votos infelizmente não acabou. Mas ela foi coibida, em certa medida. Se prega, com uma pretensa honestidade, que se "pega o que o político oferece e vota em outro." Isso não deixa de ser corrupção, mas é uma forma de protesto contra isso. Mesmo assim, muitas pessoas, presas numa noção confusa de honestidade, nem isso fazem, pegam e acham que tem o dever de votar no político que lhe deu algo (até porque essas pessoas acham que isso é certo, ou seja, que é assim mesmo que é a política). Votam no sujeito também porque tem medo de que o político descubra que ela não votou no político e, assim, ele possa lhe tomar de volta o que lhe deu. Na verdade, ouvi histórias de alguns políticos que efetivamente falaram isso.
É o resultado de uma educação como a nossa, em que esta só é prioridade nos programas de governo, mas deixa pra lá.
Com a urna eletrônica isso não é possível, já que não há como um político exigir do eleitor comprovação já que mesmo o celular do eleitor é retido durante a votação, justamente para evitar que este tire foto do próprio voto, para mostrar para outra pessoa. Assim como só é possível que outra pessoa entre na cabine de votação caso o eleitor não tenha condições de sozinho exercer o seu direito à voto e, mesmo assim seria uma pessoa trazida pelo eleitor. Nem o presidente da seção pode violar este sigilo, sendo este a autoridade máxima do local, neste momento.
Com o voto impresso tudo isso acabaria, pois assim os políticos poderiam, sim, exigir um "recibo" do eleitor, ou seja, o voto impresso.
Não adianta dizer que o voto deveria ser entregue ou jogado no lixo depois de impresso, pois em primeiro lugar, não haveria garantia nenhuma de que o eleitor jogaria fora o voto impresso, pois se conseguia-se trocar cédulas quanto mais um papel com o voto impresso?  O eleitor não faria isso, se assim fosse orientado pelo candidato para quem ele vendeu o voto, pois a palavra dele valeria mais que qualquer orientação dos mesários. Também não adiantaria mostrar o papel para o mesário antes de descartá-lo. Primeiro porque, quebraria o sigilo do voto, depois porque, no auge da votação com filas muito grandes, seria complicado para os mesários analisarem o voto. Seria um trabalho a mais que só atrapalharia o fluxo de votação. Além disso, seria um contra-senso gastar um dinheiro enorme para imprimir algo que seria jogado fora.
Considerando que seria jogado fora, o último parágrafo seria só uma conjectura.
Resumindo: o voto impresso só ameaçaria uma das maiores conquistas da democracia através da urna eletrônica, ela também um dos maiores avanços na democracia do Brasil, copiado por vários países. medida que seria tomada sem uma justificativa válida.
Com tudo isso, encerro com a pergunta que dá título a este texto: a quem interessa o voto impresso?